OLIMPÍADAS 2020 - Polêmica na luta mais longa da história dos Jogos Olímpicos movimenta o 5º dia de competições:

Hoje (28), O Brasil esteve no tatame do Nippon Budokan para o 5° dia do judô olímpico com seus pesos médios, Rafael Macedo e Maria Portela. Ambos ficaram pelo caminho, mas Portela foi alvo de uma grande polêmica neste Jogos Olímpicos de Tóquio.

-90kg:

Rafael Macedo deixou a competição na primeira rodada, após ser derrotado pelo Islam Bozbayev (KAZ) no começo do combate.

Rafael Macedo e Yuko Fujii a caminho do tatame

foto - Gaspar Nóbrega/COB

"Peço desculpas pelo meu desempenho, agora é focar na competição por equipes que nós temos grandes chances de conquistarmos a medalha'', disse Rafael após a derrota.

O título da categoria ficou com o tricampeão mundial e agora campeão olímpico, o jovem de 21 anos, Lasha Bekauri (GEO) que derrotou Eduard Trippel (GER) na final.

Os terceiros colocados foram Davlat Bobonov (UZB) e Krisztian Toth (HUN) que derrotaram Mihael Zgank (TUR) e Mikhail Igolnikov (ROC).

-70kg:

Maria Portela estreou com um belo ippon sobre Nigara Shaheen (EOR) na primeira rodada. Logo em seguida, enfrentou Madina Taimazova (ROC) na segunda rodada, onde foi derrotada após receber o 3° shido (punição) em uma luta que durou quase 15 minutos (4' tempo normal + 10' golden score), Maria apresentou perigo a russa em quase todos os momentos do combate, porém a luta seguiu sem pontuações para o golden score, que teve em destaque uma projeção de Portela que não foi pontuada pelos árbitros, criando uma imensa polêmica e discussão no Japão, a brasileira lutou bravamente, mas não obteve zona classificatória para disputar uma medalha.

Maria Portela projetando Taimazova no golden score, mas árbitro não marcou

foto - Gaspar Nóbrega/COB

Decepcionada, a brasileira deixou o tatame chorando e lamentou não ter conseguido evoluir na competição.

“Não consegui seguir na competição. Mas, agradeço a Deus, primeiramente, por ter me permitido chegar até aqui. Foram muitos desafios ao longo da classificação olímpica. E agradeço a todos aqueles que estiveram comigo nesse período de preparação, se doando cem por cento para que eu estivesse aqui da melhor forma possível”, resumiu.

Sobre as decisões da arbitragem em sua luta, Maria demonstrou verdadeiro espírito olímpico, avaliando tecnicamente as situações de luta, sobretudo o último shido que sacramentou a vitória da adversária.

"O árbitro, se a gente não define, ele tem que definir. E quem tiver um pouco mais de iniciativa, vai levar. Não foi culpa dele. Eu tinha que ter sido mais agressiva, imposto mais o ritmo, por mais que não fosse efetiva, que foi o que ela fez e acabou levando. Acredito que o que definiu, como a luta estava muito longa, ela teve um pouquinho mais de iniciativa ali naquele final e eu acabei tomando a punição. Mas, estava muito parecida a luta. Eu percebi que ela estava um pouco mais desgastada do que eu, só que ainda assim ela estava colocando mais golpe do que eu, mesmo que sem efetividade. Isso é como se ela tivesse dando um volume maior na luta, buscando mais a luta. E, por mais que eu quebrasse bastante o volume dela, eu quase joguei duas vezes, ainda assim não foi suficiente”, explicou Portela, que retornará ao tatame da Nippon Budokan no sábado, 31, para a competição por equipes mistas. “Agora quero ajudar a equipe a chegar no pódio. Sei que meu ponto é muito importante e o foco é esse, contribuir para que possamos evoluir na competição porque somos um time muito forte.”

A derrota doída, definida em decisões difíceis da arbitragem, tanto nas punições, quanto na interpretação do waza-ari ou não, fez com que a brasileira recebesse muitas mensagens de incentivo e indignação de fãs e da comunidade do judô por meio das redes sociais. Neste sentido, é importante esclarecer que, no judô, não existe a possibilidade de recurso, apelação, cancelamento ou mudança do resultado decretado pela arbitragem em cima do tatame.

As redes sociais foram inundadas de críticas aos árbitros responsáveis por tal polêmica, além de ex-atletas brasileiros terem apontado o erro de decisão.

"Não darem o wazari para Portela...pra que serve o VAR? Francamente. Lamentável.", disse Flávio Canto, medalhista de bronze do judô em Atenas 2004.

"Nunca gostei de falar de arbitragem, mas meu Deus, o que foi essa luta? Wazari não marcado e punição muito injusta!", comentou o bi campeão mundial sogipano, João Derly.

"Uma vida dedicada ao sonho olímpico, e o arbítrio após 10 minutos de golden score define a luta dessa forma. Deixa os atletas decidirem. Sem contar que o Wazari que foi nítido antes.", pontuou Luciano Correa, campeão mundial em 2007.

Reclamações pelos erros de arbitragem nos Jogos Olímpicos de Tóquio é algo que vem ganhando força desde os primeiros dias de Jogos, onde o Brasil foi "injustiçado" em diversos esportes.

A campeã da categoria foi a anfitriã, Chizuru Arai (JPN) que derrotou Michaela Polleres (AUT).

As terceiras colocações foram Madina Taimazova (ROC) e Sanne Van Dijke (NED) que derrotaram Barbara Matic (CRO) e Giovanna Scoccimarro (GER).

Amanhã (29), os pesos meio-pesados brasileiros, Mayra Aguiar e Rafael Buzacarini estarão no tatame da Nippon Budokan às 23h (Brasília) e as finais a partir das 5h da manhã (Brasília).

com informações de: CBJ

Por Ernane Neves, da Shihan Intersports, em São Paulo


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